Dra. Camila Bagatini e colega da equipe com um modelo de coluna vertebral

Todo 18 de setembro, clínicas e profissionais de quiropraxia lembram a data que marca a origem da profissão. É um bom momento para uma pergunta que raramente é feita: o que é preciso estudar para se tornar quiropraxista? Muita gente associa o ajuste apenas ao momento do atendimento, sem saber o que existe por trás dele: anos de formação específica, prática supervisionada e uma base técnica que sustenta cada decisão clínica.

Neste artigo, explicamos como funciona essa formação no Brasil, por que a data de hoje é comemorada e qual é, hoje, o reconhecimento da quiropraxia no país.

RESPOSTA DIRETA   O ajuste quiroprático não é uma técnica improvisada. Ele é resultado de formação superior específica, com carga de anatomia, neurologia, biomecânica e radiologia, seguida de estágio supervisionado antes do atendimento autônomo. No Brasil, a ocupação consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2261-05) e a quiropraxia integra as Práticas Integrativas e Complementares do SUS desde 2017.

18 de setembro: por que essa data existe

Em setembro de 1895, na cidade de Davenport, nos Estados Unidos, D.D. Palmer aplicou o que é considerado o primeiro ajuste quiroprático registrado, em Harvey Lillard, um homem que relatava perda significativa de audição. Segundo o relato do próprio Lillard, publicado meses depois, sua audição melhorou após o tratamento. Esse episódio é reconhecido pela própria comunidade quiroprática, incluindo instituições de ensino como o Palmer College of Chiropractic, como o marco fundador da profissão, e é por isso que 18 de setembro é celebrado como o Dia do Quiropraxista.

Mais de um século depois, a quiropraxia deixou de ser um evento isolado para se tornar uma formação estruturada, com currículo, prática supervisionada e produção científica própria. É esse percurso, e não apenas o gesto do ajuste, que a data também celebra.

Quanto tempo se estuda para ser quiropraxista

A formação em quiropraxia não se resume a um curso rápido ou a uma especialização isolada. Ela reúne disciplinas típicas da área da saúde, com ênfase no sistema neuromusculoesquelético: anatomia, fisiologia, neurologia, biomecânica, radiologia, semiologia e diagnóstico diferencial fazem parte da base teórica. A essas disciplinas se soma uma carga extensa de prática clínica supervisionada, indispensável para que o futuro profissional aprenda a avaliar antes de tocar.

Esse desenho curricular não é uma escolha isolada de uma instituição brasileira. Ele segue diretrizes internacionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde para a formação em quiropraxia, que recomendam formação de nível superior com forte base em ciências biomédicas e prática clínica extensa, justamente para que o profissional saiba reconhecer quando um caso pode ser tratado e quando precisa ser encaminhado.

Na prática, isso significa que o quiropraxista não aprende apenas uma técnica de ajuste. Ele aprende, antes de tudo, a interpretar sinais do corpo, a reconhecer contraindicações e a tomar decisões clínicas responsáveis.

Estágio supervisionado e prática clínica

Nenhuma faculdade forma um quiropraxista pronto apenas com aulas teóricas. Antes de atender sozinho, o estudante passa por um período de estágio supervisionado, em que atende pacientes reais acompanhado por um profissional experiente, que acompanha a avaliação, corrige a execução da técnica e orienta o raciocínio clínico caso a caso.

Esse é o momento em que a teoria se transforma em habilidade prática. O ajuste quiroprático exige precisão: direção, amplitude e força aplicadas de forma correta variam de acordo com a região do corpo, a condição do paciente e o objetivo do atendimento. Essa habilidade é treinada de forma repetida e supervisionada, não improvisada na frente do paciente.

É também durante essa fase que o futuro profissional aprende algo tão importante quanto a técnica: reconhecer quando um caso não deve ser tratado com ajuste manual e precisa ser encaminhado para avaliação médica ou outra especialidade.

Reconhecimento no Brasil

O Brasil ainda não tem uma lei federal específica que regulamente a profissão de quiropraxista, nem um conselho profissional próprio para a categoria. O Projeto de Lei 114/2015, que trata dessa regulamentação, segue em tramitação no Congresso Nacional.

Isso não significa, porém, que a quiropraxia seja uma atividade sem qualquer reconhecimento oficial. A ocupação de quiropraxista consta na Classificação Brasileira de Ocupações desde 1994, atualizada em 2013 para o código CBO 2261-05, que descreve a atuação do bacharel em quiropraxia e exige formação superior específica para o exercício da ocupação. Em 2017, por meio da Portaria MS/GM nº 849, a quiropraxia passou a integrar oficialmente a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS), ao lado de práticas como acupuntura e osteopatia.

Vale um esclarecimento direto: a quiropraxia não é uma especialidade da fisioterapia. É uma ocupação com classificação própria e independente na CBO. Hoje, portanto, o cenário é o seguinte: reconhecimento como ocupação de nível superior pela CBO, inclusão formal no SUS como prática integrativa, e regulamentação profissional específica ainda pendente de aprovação no Congresso.

O que muda para você, paciente

Entender a formação por trás do ajuste muda a forma como você escolhe um profissional. Uma formação exigente não aparece apenas no diploma: ela se traduz em uma avaliação cuidadosa antes de qualquer técnica, na identificação de contraindicações e em um plano de cuidado construído para o seu caso, não em um protocolo padronizado aplicado a todos os pacientes da mesma forma.

Na Clínica Bagatini, essa lógica orienta o Método Bagatini: cada atendimento parte da avaliação individual, e a quiropraxia pode ser combinada, quando apropriado, com fisioterapia, acupuntura, liberação miofascial, massoterapia e ventosaterapia. Antes de agendar uma avaliação em qualquer clínica, vale perguntar sobre a formação do profissional que vai atender você.

Se quiser conhecer quem está por trás do atendimento na Clínica Bagatini, você pode conhecer a equipe e entender a formação de cada profissional.

PRÓXIMO PASSO   Quer ser atendido por um profissional com formação específica em quiropraxia? Agende uma avaliação na Clínica Bagatini, em Praia da Costa, Vila Velha.

Agendar avaliação

Perguntas frequentes

Por que o Dia do Quiropraxista é comemorado em 18 de setembro?

A data marca o primeiro ajuste quiroprático registrado, realizado em 1895 por D.D. Palmer em Davenport, nos Estados Unidos, considerado o marco de origem da profissão.

Quanto tempo dura a formação de um quiropraxista?

No Brasil, a formação específica em quiropraxia é de nível superior e reúne disciplinas como anatomia, neurologia, biomecânica, radiologia e semiologia, além de carga prática obrigatória de estágio supervisionado antes do atendimento autônomo.

O que é o estágio supervisionado em quiropraxia?

É o período em que o futuro quiropraxista atende pacientes acompanhado por um profissional experiente, aplicando avaliação e técnicas sob supervisão direta antes de atuar sozinho.

A quiropraxia é uma profissão reconhecida no Brasil?

A ocupação de quiropraxista consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2261-05) e a quiropraxia integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS desde 2017. O Brasil ainda não tem uma lei federal específica nem um conselho profissional próprio para a categoria; o PL 114/2015, que trata da regulamentação, segue em tramitação.

Qualquer pessoa pode se chamar quiropraxista?

Não deveria. A CBO 2261-05 exige formação superior específica em quiropraxia para o exercício da ocupação. Antes de agendar uma avaliação, vale confirmar a formação do profissional.

O que muda para o paciente quando o profissional tem formação completa?

Uma formação exigente se traduz em avaliação criteriosa antes de qualquer técnica, identificação de contraindicações e um plano de cuidado individualizado, em vez de um protocolo padronizado aplicado a todos os pacientes.

Nota de responsabilidade

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação individual de um profissional de saúde.

Dra. Camila Bagatini, revisora clínica do artigo

Dra. Camila Bagatini

Revisora clínica · Quiropraxista

Referências e fontes

  1. Palmer College of Chiropractic. "D.D. Palmer's First Adjustment." LibGuides. Disponível em: Palmer College of Chiropractic
  2. Ministério da Saúde. Portaria MS/GM nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui quiropraxia, entre outras práticas, na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS. Disponível em: Ministério da Saúde
  3. Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ). "Legalidade da Profissão de Quiropraxia." Disponível em: ABQ