Avaliação de coluna em paciente com suspeita de hérnia de disco na Clínica Bagatini

Resposta rápida: Ter hérnia de disco no exame de imagem não é, por si só, uma sentença de dor permanente. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador (que pode incluir quiropraxia, fisioterapia e exercício), e uma parte relevante das hérnias diminui de tamanho espontaneamente com o tempo. A quiropraxia não "desfaz" a hérnia nem promete cura garantida; o que ela pode oferecer é manejo da dor e da função, dentro de critérios de segurança bem definidos, e com encaminhamento médico quando o quadro exige.

O que é uma hérnia de disco, na prática

Entre cada vértebra da coluna existe um disco intervertebral, uma estrutura de amortecimento com um núcleo mais gelatinoso (núcleo pulposo) envolvido por camadas de fibras resistentes (ânulo fibroso). Quando esse ânulo enfraquece ou se rompe parcialmente, parte do núcleo pode extravasar, formando o que chamamos de hérnia de disco. Ela pode ser classificada, em ordem crescente de deslocamento do material discal, como protrusão, extrusão ou sequestro.

A hérnia por si só nem sempre causa dor. O sintoma costuma aparecer quando o material herniado comprime ou inflama uma raiz nervosa próxima, o que pode gerar dor irradiada (como a ciática, quando o nervo ciático é afetado), formigamento ou perda de força num trajeto específico da perna ou do braço, dependendo do nível da coluna afetado.

Por que ter hérnia no exame não é sentença de dor pra sempre

Duas descobertas da pesquisa científica mudam bastante a forma como esse diagnóstico deveria ser recebido.

Achados de hérnia são comuns até em quem não sente dor

Uma revisão sistemática publicada no American Journal of Neuroradiology (Brinjikji et al., 2015), que reuniu dados de imagem de milhares de adultos sem nenhuma dor nas costas, encontrou protrusão discal em quase 30% dos adultos de 20 anos e em mais de 40% dos adultos de 80 anos, todos completamente assintomáticos. Isso não significa que a hérnia "não é nada", mas mostra que o achado no exame, isolado, não determina se a pessoa vai sentir dor nem qual será a intensidade dela.

Boa parte das hérnias diminui de tamanho sozinha

Uma revisão sistemática publicada na Clinical Rehabilitation (Chiu et al., 2015), reunindo estudos com acompanhamento por imagem ao longo do tempo, encontrou regressão espontânea (redução do tamanho da hérnia) em cerca de dois terços dos casos analisados. De forma contraintuitiva, as hérnias mais extrusas ou sequestradas (as que mais se deslocam do disco original) foram as que mais regrediram, provavelmente porque o corpo reconhece esse material como algo a ser reabsorvido pelo sistema imunológico.

Na prática clínica, isso explica por que muitos pacientes sentem melhora significativa da dor semanas antes de qualquer redução visível da hérnia num novo exame: a inflamação ao redor do disco tende a ceder mais rápido do que o próprio tamanho da hérnia diminui.

O que a quiropraxia pode fazer

Diante de um quadro de hérnia de disco sem sinais de alerta, o papel da quiropraxia costuma se concentrar em três frentes: reduzir a dor, melhorar a função e apoiar o paciente enquanto o processo natural de recuperação do disco acontece.

  • Técnicas de manipulação e mobilização vertebral, escolhidas conforme o nível afetado, a intensidade dos sintomas e a presença ou não de irradiação pra perna/braço
  • Terapias miofasciais e de tecidos moles pra reduzir a tensão muscular protetora que costuma acompanhar a dor discal
  • Orientação de movimento e exercício, adaptada à fase do quadro, pra manter mobilidade sem sobrecarregar a área afetada
O que um ensaio clínico encontrou

Um ensaio clínico randomizado duplo-cego publicado na The Spine Journal (Santilli, Beghi & Finucci, 2006) comparou manipulação vertebral ativa com manipulação simulada em pacientes com dor lombar aguda, ciática e protrusão discal confirmada por exame. O grupo que recebeu manipulação ativa teve redução mais consistente da dor lombar e da dor irradiada ao longo do acompanhamento, sem diferença relevante nos eventos adversos entre os grupos.

Diretrizes clínicas internacionais, como a publicada pelo American College of Physicians (Qaseem et al., 2017), recomendam que tratamentos não invasivos e não medicamentosos, entre eles a terapia manual, sejam considerados antes de intervenções mais agressivas na maioria dos casos de dor lombar, incluindo quadros associados a hérnia discal sem sinais neurológicos graves.

O que a quiropraxia não faz

É igualmente importante ser claro sobre os limites do tratamento. A quiropraxia não reposiciona fisicamente o material herniado de volta pro disco, não "dissolve" a hérnia numa sessão, e não substitui avaliação médica em quadros que exigem exame de imagem urgente, medicação específica ou cirurgia.

Nenhum profissional sério promete cura garantida ou prazo fixo de melhora pra hérnia de disco. A resposta ao tratamento varia de pessoa pra pessoa, e o acompanhamento presencial é o que permite ajustar a conduta conforme a evolução real do quadro, não uma expectativa genérica criada antes da avaliação.

Quando a hérnia de disco é uma emergência médica

Existe um conjunto pequeno, porém importante, de sinais que não devem ser tratados com terapia manual e exigem avaliação hospitalar imediata: são os sinais de possível síndrome de cauda equina, uma compressão mais extensa das raízes nervosas na base da coluna.

Perda de força progressiva numa ou nas duas pernas, que piora em horas ou dias
Dormência em sela: perda de sensibilidade na região interna das coxas, nádegas e genitais
Alteração no controle da bexiga ou do intestino, incluindo dificuldade pra urinar ou incontinência
Dor que surge após trauma significativo, como queda ou acidente

Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é buscar atendimento médico de urgência, não uma sessão de quiropraxia. Fora desses casos específicos, a grande maioria dos quadros de hérnia de disco pode ser conduzida com segurança de forma conservadora, com reavaliação frequente do profissional responsável.

Benefícios possíveis do tratamento conservador

Redução da dor irradiadaManejo da dor lombar e da ciática associada à compressão nervosa
Menos tensão muscular protetoraAlívio da rigidez que o corpo cria em resposta à dor
Manutenção da mobilidadeOrientação de movimento seguro enquanto o quadro evolui
Menor exposição a medicaçãoOpção complementar pra quem busca reduzir uso de analgésicos
Primeira linha antes de opções invasivasAlinhado às diretrizes internacionais pra quadros sem sinal de alerta
Acompanhamento da evoluçãoReavaliação constante pra ajustar a conduta ao caso real

Como é a avaliação na Clínica Bagatini

Na Clínica Bagatini, a avaliação de um paciente com suspeita ou diagnóstico de hérnia de disco começa com anamnese detalhada e exame neurológico direcionado, verificando força muscular, sensibilidade e reflexos no trajeto compatível com o nível da coluna envolvido. Essa triagem é o que determina se o caso segue com conduta conservadora ou precisa de encaminhamento médico antes de qualquer terapia manual.

Quando indicado, o plano de tratamento é individualizado, combinando as técnicas mais adequadas ao quadro (veja os princípios gerais em o que é quiropraxia e como funciona o ajuste vertebral) com orientações de movimento e reavaliações periódicas, sem prometer prazo fixo de melhora antes de conhecer a evolução real do paciente.

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Perguntas frequentes

Hérnia de disco tem cura?

Não existe uma resposta única, porque cada caso depende do tamanho e do tipo da hérnia, dos sintomas e da resposta ao tratamento. O que a evidência mostra é que ter hérnia no exame não significa conviver com dor pra sempre: boa parte das hérnias reduz de tamanho espontaneamente com o tempo, e a maioria dos casos melhora com tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia.

Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?

Não. A maior parte dos casos de hérnia de disco lombar é tratada de forma conservadora, com terapia manual, exercício e controle da dor, sem indicação cirúrgica. A cirurgia costuma ser reservada para casos com sinais neurológicos progressivos, síndrome de cauda equina ou dor incapacitante que não responde a semanas de tratamento conservador bem conduzido.

Quiropraxia pode piorar uma hérnia de disco?

Quando indicada após avaliação criteriosa e aplicada por profissional treinado, a manipulação vertebral tem perfil de segurança favorável na literatura. O risco existe quando não há triagem prévia de sinais de alerta (perda de força progressiva, alteração de esfíncteres, suspeita de fratura). Por isso a avaliação individual, incluindo exame neurológico, vem antes de qualquer conduta manual.

Quanto tempo demora pra melhorar de uma hérnia de disco?

Varia de pessoa pra pessoa. Muitos pacientes relatam melhora significativa da dor nas primeiras semanas de tratamento conservador, mesmo antes de qualquer redução visível da hérnia em um novo exame de imagem, já que a inflamação ao redor do disco tende a diminuir mais rápido que o próprio tamanho da hérnia.

Quando a hérnia de disco é uma emergência?

Perda de força progressiva numa perna, dormência na região da sela (parte interna das coxas e genitais) e alteração no controle da bexiga ou do intestino são sinais de possível síndrome de cauda equina, uma emergência médica que exige avaliação hospitalar imediata, não atendimento quiroprático.
Dra. Camila Bagatini, quiropraxista

Dra. Camila Bagatini

Quiropraxista · Responsável Técnica da Clínica Bagatini

Fundadora do Método Bagatini, com avaliação individualizada de cada caso de dor na coluna, incluindo quadros de hérnia de disco, sempre com triagem de sinais de alerta antes de qualquer conduta manual. Atua em Vila Velha – ES.

Referências e fontes

  1. Brinjikji W, Luetmer PH, Comstock B, et al. "Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations." American Journal of Neuroradiology. 2015;36(4):811-816. Disponível em: PubMed Central
  2. Chiu CC, Chuang TY, Chang KH, Wu CH, Lin PW, Hsu WY. "The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review." Clinical Rehabilitation. 2015;29(2):184-195. Disponível em: PubMed
  3. Santilli V, Beghi E, Finucci S. "Chiropractic manipulation in the treatment of acute back pain and sciatica with disc protrusion: a randomized double-blind clinical trial of active and simulated spinal manipulations." The Spine Journal. 2006;6(2):131-137. Disponível em: PubMed
  4. Qaseem A, Wilt TJ, McLean RM, Forciea MA. "Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians." Annals of Internal Medicine. 2017;166(7):514-530. Disponível em: PubMed